Os criptoativos são um investimento promissor?

Apesar de não haver regulamentação no Brasil, a CVM permite que fundos brasileiros invistam em fundos estrangeiros que, por sua vez, tenham sua carteira formada por esses criptoativos

Quanto mais a tecnologia é incorporada aos negócios, mais se ouve falar sobre o mercado de criptoativos. Conhecidos popularmente como moedas digitais, sendo o mais famoso o Bitcoin, os ativos virtuais são protegidos por criptografia presentes somente em registros digitais. Sem a necessidade da intermediação de uma instituição financeira, todas as operações (pagamentos ou transferências internacionais) são realizadas em uma rede de computadores.


Atualmente existem centenas de criptoativos, cada um funciona baseado em um conjunto de regras próprias, definidas pelos seus criadores e desenvolvedores. Segundo dados recentes da CoinMarketCap, segunda maior gestora de investimentos em ativos digitais do mundo, no ranking em primeiro lugar aparece a Bitcoin com uma capitalização de R$ 5,7 trilhões, em segundo a Ethereum com R$ 1,74 trilhão e a terceira maior criptomoeda no mundo, a Binance Coin com capitalização de R$ 520,170 bilhões.

Em 2021, o mercado de criptomoedas registrou balanço trimestral recorde de US$ 4,2 bilhões, de acordo com a CoinShares. Dados mostram que o total de criptoativos sob a gestão de fundos e corretoras no mundo todo somam US$ 55,8 bilhões. Apesar de não haver regulamentação no Brasil, a CVM permite que fundos brasileiros invistam em fundos estrangeiros que, por sua vez, tenham sua carteira formada por esses criptoativos. O órgão identificou um crescimento da ordem de 70% do volume dos fundos de investimento destinados ao investimento exclusivo em criptoativos no país em 2020.


“O número de investidores em fundos de criptomoedas cresceu 11 vezes ano passado, evidenciando o interesse dos investidores nessa classe de ativos. Além dos fatores inerentes ao mundo cripto, a velocidade de crescimento desse mercado é decorrente, também, do momento de crise atual. Na pandemia muita gente parou para revisar seus portfólios. As criptomoedas caíram junto com os outros ativos, mas sua recuperação começou antes e foi mais rápida. No momento em que as pessoas estavam revendo suas carteiras, os criptoativos apareceram como uma opção interessante", conta João Marco Braga da Cunha, gestor de portfólio da HASHDEX, gestora de investimentos regulada e especializada em criptoativos, a maior da América Latina em gestão de criptoativos, com mais de 3 bilhões de reais sob gestão.


A maneira mais segura de se investir em criptoativos é através de produtos regulados, como fundos de investimentos, disponíveis nas principais plataformas do país, ou ETF, através do homebroker. Samir Kerbage, CTO da HASHDEX, explica que os criptoativos são uma classe nova com muito potencial de crescimento, mas muito risco também. “Então, o investidor deve se atentar ao tamanho da alocação no seu portfólio, sugerimos entre 1% e 5% em cripto, a depender do apetite do investidor ao risco. Enxergamos o investimento nessa nova classe de ativos como aquele voltado ao horizonte de longo prazo, três a cinco anos no mínimo. Não é recomendado fazer market timing, mas sim, começar a investir aos poucos, com rebalanceamento frequente da carteira, de forma a aumentar a exposição quando o mercado está em baixa e reduzir quando o mercado está em alta”, ressalta.


Os fundos da Hashdex estão disponíveis nas principais plataformas do Brasil, como a XP, e no caso do ETF, através do homebroker da corretora que está conectada à B3. Além de utilizar produtos regulados com os mais altos padrões de governança, os investidores precisam levar em conta a segurança, questão como dispersão geográfica, sharding e deep cold storage (desconectadas da internet) e infraestrutura monitorada devem ser avaliados.


“Nós, por exemplo, não possuímos acesso direto às chaves privadas, sendo elas custodiadas por empresas estrangeiras especializadas, reguladas e com seguro. Os ativos do fundo são transferidos imediatamente após sua aquisição para estas soluções extremamente seguras de armazenamento. Esse tipo de solução, adotada por empresas como a Fidelity Digital Assets, impõe barreiras praticamente intransponíveis de defesa. Não mantemos nenhuma quantidade significativa de ativos em exchanges ou em hot wallets, que são geralmente o foco de hackers”, diz Kerbage.


Por trás das transações, está o blockchain,que é a tecnologia responsável por agrupar e registrar em blocos as transações feitas em criptoativos. Quanto maior o problema que uma tecnologia resolve, maior o seu valor. O impacto de blockchain na sociedade vai destravar o valor em diversas indústrias. Ainda é difícil mensurar, assim como era saber o impacto que a internet traria para nossas vidas e a economia nos anos 90.


“Tecnologias têm um ritmo próprio para evoluir, é natural que as pessoas ainda não vejam os efeitos de blockchain em seu dia a dia. Mas ao adquirir um criptoativo ela se torna um investidor no setor, com a chance de participar do crescimento de projetos que podem ter muito impacto na sociedade. Apesar de ainda estarmos na curva inicial de adoção dessa tecnologia, grandes fundos globais (como os Endowments de Yale e Harvard, o Medallion Fund da Renaissance, Paul Tudor Jones e outros) investem cada vez mais nesse mercado, e a regulação avança rapidamente no mundo todo. Caso a tecnologia entregue seu potencial, é razoável que o tamanho desse mercado se amplie significativamente”, finaliza Samir Kerbage.


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