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Quais os impactos dos fatores ESG na contabilidade?

Atualizado: 16 de fev. de 2022


A contabilidade pode ser entendida como a forma de comunicação mais relevante entre a empresa e os seus stakeholders, sempre tendo a transparência como essência, claro. Na visão de Vera Elias, vice-presidente de contabilidade da ANEFAC, cabe à contabilidade reportar informações considerando as características qualitativas fundamentais de relevância e fidedignidade, bem como, comparabilidade, verificabilidade, tempestividade e compreensibilidade, com o objetivo de melhorar a utilidade da informação.


Na prática o que acontece é que na contabilidade, basicamente se registra ativos de duas naturezas: tangíveis e intangíveis. Os tangíveis são os recursos físicos de longo prazo e que podem ser mensurados em valor e os intangíveis são os bens imateriais e, geralmente, trata-se de marcas, patentes, softwares, direitos autorais, dentre outros. Seguindo a mesma premissa de raciocínio, os passivos também podem ser de natureza tangível ou intangível.


Elias explica que o que ocorre é que existem situações nas quais não será simples registrar as variações patrimoniais. Isso porque, o mundo em que vivemos – onde as empresas desenvolvem suas atividades – encontra-se em constante mudança. Em consequência disso, é natural que surjam alguns desafios para que a contabilidade e os reportes sejam capazes de acompanhar tal movimento.


A questão dos intangíveis, por exemplo, está se tornando cada vez mais dominante na geração de valor das empresas modernas e, além disso, são aspectos que surgem de forma recorrente quando se fala em ESG (Environmental, Social and Governance). Não obstante, os intangíveis não são facilmente expressos em unidades monetárias, o que dificulta a sua valoração. “Esse desafio para a contabilidade fica ainda mais evidente se realizarmos uma comparação das características das maiores em valor de bolsa, ao longo do tempo”, diz Elias.


No início do século XX, o destaque era as empresas siderúrgicas e automobilísticas. Aquelas cujo principal ativo era o imobilizado e o capital estava registrado no balanço. Atualmente, as com maior valor em bolsa são, como por exemplo, Facebook, Amazon e Apple. Segundo Elias, essas entidades possuem grande valor representado pelo capital intelectual e tecnologia. São empresas que têm o intangível como principal ativo, sendo que este capital não está reconhecido no balanço.


A dificuldade de valoração também se verifica em relação ao passivo intangível, em casos nos quais há algum lapso da empresa em relação aos compromissos sociais e climáticos. Como por exemplo, quando há um impacto ambiental negativo, pela não redução de poluentes, prática de crimes ambientais e não redução de emissão de carbono, utilização de trabalho escravo ou mão-de-obra infantil, ausência de representatividade e diversidade no Conselho Administrativo, entre tantas outras.

“Existem fatores adicionais e sensíveis que devem ser levados em consideração, uma vez que somente indicar aos usuários dos relatórios se uma empresa é lucrativa deixou de ser suficiente. Eles querem informações sobre o impacto que se gera, por meio da missão e dos valores. Existem questões não financeiras que precisam ser demonstradas, de forma a gerar informações ESG confiáveis e comparáveis”, relata Elias.


Quais são as transformações recentes nesse campo?


Diante deste cenário, novas formas de captação têm surgido e o Brasil tem aproveitado bem essa modalidade. Elias cita a título de exemplo, a empresa Suzano que foi pioneira no país na emissão de títulos de dívida atrelados a metas de sustentabilidade ou sustainability-linked bonds (SLB).


A companhia calcula que obteve um prêmio de sustentabilidade ou “greenium” de 13 pontos base ao ano quando se comparado à dívida de prazo semelhante não-ESG da própria empresa. Hoje, a Suzano tem 3 SLB. O primeiro com a meta de redução de suas emissões de CO2 e o segundo com o comprometimento de reduzir em 15% a intensidade da captação de água em todas as suas operações até 2030, sendo que até 2026 o compromisso é de corte de 12,4%. Por último, estabeleceu a meta de atingir ao menos 30% de mulheres em cargos de liderança até 2025. Caso não consiga cumprir tais objetivos, a empresa terá que pagar mais juros.


“É importante perceber que o estabelecimento de metas pode gerar consequências tanto negativas quanto positivas. E, com isso em mente, é imprescindível que os contadores tenham muito cuidado no que tange ao acompanhamento e evolução dos objetivos definidos”, pondera Elias.


Além disso, ela completa, que os profissionais da contabilidade devem ter um olhar atento à exatidão e fidedignidade daquilo que é tornado público, a fim de nunca divulgar o greenwashing. “Deve haver uma preocupação para nunca divulgar uma informação enganosa acerca de sustentabilidade e/ou apoio ao meio ambiente com objetivo de marketing e com a finalidade de conquistar o apoio popular. Esse cuidado é extremamente relevante para evitar o risco reputacional que, uma vez perdido, dificilmente será recuperado”, finaliza Elias.


Esse é o segundo conteúdo de uma série de conteúdos sobre ESG e contabilidade que a ANEFAC está preparando. Fique atendo ao nosso blog.


Acesse aqui o primeiro, intitulado: Qual a conexão entre o ESG e a contabilidade? https://www.anefac.org/post/qual-a-conex%C3%A3o-entre-o-esg-e-a-contabilidade


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